Cemitério de esperanças enterradas

Eu sempre fui muito questionadora, se não o fosse, não escreveria. Fico pensando, pensando, pensando exaustivamente e meu cérebro não para de trabalhar nem por um segundo. Às vezes eu só queria um descanso. Às vezes eu só queria desligar. Parar de pensar, parar de ouvir, parar de falar. Mas, principalmente, parar de perguntar.


Minhas perguntas me colocam contra os meus próprios instintos e desafiam tudo aquilo que um dia eu acreditei. As coisas não deveriam seguir um propósito maior? Mas que propósito é esse?


São muitas perguntas não respondidas que alimentam minhas incertezas sobre a vida, sobre o sentido da existência. Eu já não sei de onde vim e nem para onde vou. A incerteza do amanhã, um futuro que me foi roubado e uma sensação de impotência me perseguem constantemente.


Me disseram que no horizonte haviam infinitas possibilidades, me prometeram que o porvir seria próspero. Mas a realidade se mostra completamente diferente: a morte nos ronda e a miséria só aumenta. Em vão acreditei nas falsas promessas, caí no conto do otimismo com toda a minha ingenuidade e tentei , de todo o meu coração, manter viva a chama da esperança.


Rezei com a minha alma e implorei com a minha fé. O silêncio continuou me cortando a pele, chicoteando minhas feridas. Não obtive respostas. Nem ações. Nem mudanças.


Hoje eles me pedem para continuar acreditando. Eles dizem que vai passar. Que é só uma fase. Mas o que eles sabem sobre o futuro, afinal? Ele já se provou tão inconstante e descontínuo que fica difícil acreditar numa teoria, seja ela qual for.


Me sinto tão sem rumo, tão cansada, tão fraca, tão vazia. Um cemitério de esperanças enterradas existe dentro de mim. E acho que muita gente se sente da mesma forma, mas não conseguem admitir; a horror da morte, o barulho da lâmina do ceifador e o medo das chamas de um inferno destinado aos descrentes os impedem de assumir.


Eu já não tenho mais o que temer. Não tenho mais o que podar. O inferno é aqui. Agora. Neste lugar. Não há coisa pior no mundo do que viver onde se nega o direito de existir.

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