Carta para minha mãe

Eu mudei, mãe. Mudei tanto que nem sei se você me reconheceria. Às vezes eu não me reconheço. E mudar não é necessariamente algo ruim, pelo contrário, em alguns casos, é muito bom. Mudei meu cabelo, minha estatura, minha aparência de forma geral. Minha forma de enxergar o mundo também está transformada (e obviamente, vocêContinuar lendo “Carta para minha mãe”

Cemitério de esperanças enterradas

Eu sempre fui muito questionadora, se não o fosse, não escreveria. Fico pensando, pensando, pensando exaustivamente e meu cérebro não para de trabalhar nem por um segundo. Às vezes eu só queria um descanso. Às vezes eu só queria desligar. Parar de pensar, parar de ouvir, parar de falar. Mas, principalmente, parar de perguntar. MinhasContinuar lendo “Cemitério de esperanças enterradas”

A prensa francesa

Eu queria muitas coisas. Nesse exato momento queria uma prensa francesa pra fazer cappuccino em casa. Tava até olhando preço na internet, mas logo um pensamento me surge: eu realmente preciso de uma prensa francesa? Ou ela é mais um fruto das minhas necessidades intensas e momentâneas? Eu fico martelando essa pergunta na minha cabeça.Continuar lendo “A prensa francesa”

Não sou obrigada a forçar otimismo

Não sou obrigada a fingir que acredito que o amanhã será melhor e que a esperança ainda corre pelas minhas veias. Eu tô mais seca do que o deserto do Atacama e cansada como se tivesse vivido séculos e mais séculos junto da humanidade. Otimismo não é uma palavra que se encaixa no meu momento. Continuar lendo “Não sou obrigada a forçar otimismo”

Ninguém está bem

Ninguém está bem. Essa é a verdade em sua essência – pura e sem confetes, amarga como fel, desse queimando a garganta. Estamos literalmente por um triz. Nossa sanidade já desistiu de se manter intacta, nossa esperança se esvaiu como o vento, se transformou em brisa e foi carregada para outros continentes. Só nos restouContinuar lendo “Ninguém está bem”

Máquina de escrever

Revirando os armários de ponta à cabeça, encontrei uma máquina de escrever. Uma Olivetti Lettera 82, que pertenceu à minha mãe. Passei o resto do dia refletindo sobre um objeto. Parece loucura, mas de alguma forma, essa peça mexeu muito comigo. Entrei em reflexão, passei minutos que mais pareceram uma eternidade olhando para ela, meContinuar lendo “Máquina de escrever”