Entre lágrimas, lápis e papel

Encontro o consolo para meus dias cinzentos nas margens de um caderno, que parece me conhecer tão bem. Minha mão, dolorida pelo exercício diário de escrever até o que não devia, continua cumprindo seu papel.

Minha mente, mesmo cansada, fervilha ideias mirabolantes e cria universos utópicos que me fazem fugir da realidade. Sou grata, externamente grata, por essa ferramenta humana tão preciosa: a criatividade.

Eu leio e releio livros que já sei decor com a desculpa de que preciso aumentar o meu repertório. Escrevo umas linhas tortas de poemas sem destino, iguais a mim, que vou seguindo o fluxo mas sem um caminho fixo.

Nos meus versos eu consigo refletir a minha alma. Consigo transparecer o que sinto sem nenhuma interferência. Se estou triste, eles saem tristes. Se estou feliz, eles saem felizes. Não tenho como mascarar que eu sou e nem dar outro rumo à minha voz interior.

Essa voz que grita no meu ouvido: continua, toda vez que eu quero desistir. Essa voz que me repreende toda vez que eu quero jogar tudo pro alto e fugir. Essa voz que me acompanha em todos os lugares, como uma vigilante, não me abandona nem mesmo nos meus piores momentos, me ensina lições tão importantes que jamais serão esquecidas.

Como hoje, em que ela disse pra mim que eu precisava continuar a escrever, custe o que custar, doa a quem doer. Porque eu sou a escrita e a escrita me faz ser quem sou. Sem ela eu não sou nada, sem ela nada me restou.

Eu obedeci à voz, é claro, sem saber ao certo o seu significado. Seria meu próprio inconsciente se manifestando? Ou seriam os ventos do destino que regem meus caminhos me alinhando?

Não sei. Francamente, não faço a menor ideia. Pode ser tudo invenção da minha cabeça, apenas uma quimera. Ou pode ser meu chamado para um novo ciclo, a oportunidade de renascer e escrever um novo espetáculo.

Entre lágrimas, lápis e papel, eu sonho. Me deixo embalar pelas vozes das musas e me inspiro. Depois respiro. E seco as lágrimas. Pois sou muito jovem pra chorar esse tanto.

E também, porque eu sei, que essas lágrimas regarão o meu jardim. Florescerão sonhos, colherei minhas conquistas. Em breve, os ventos me soprarão uma nova vida. Me levarão para longe, para um lugar seguro, no qual eu serei acolhida.

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