Pecado é não se amar

A individualidade muitas vezes é tratada como um defeito, um pecado, uma heresia. Mas, desde já, peço perdão pela inquietude que sinto em minh’alma ao discordar dessas afirmações.

Somos ensinadas a sempre pensar no outro. Se preocupar com o outro. Cuidar do outro. Amar o outro. Escutar o outro. A sociedade nos faz acreditar que a doação exacerbada das nossas energias vitais em prol de terceiros é uma qualidade a ser reconhecida. E todos querem reconhecimento, certo?

E dessa forma, passamos anos nos dedicando ao próximo, não pelo verdadeiro sentido da caridade, mas, porque no nosso íntimo, acreditamos que essa é a nossa obrigação – como seres viventes e em constante evolução. Cuidamos, doamos, insistimos em pessoas (e situações) nas quais não nos encaixamos por acharmos que existe um propósito divino para tudo isso. Não respondemos ofensas, guardamos tudo aquilo que nos incomoda numa caixinha no nosso subconsciente que, mais cedo ou mais tarde, fará com que todas essas palavras atravessadas que ficaram entaladas na garganta emerjam para o consciente de alguma forma, nos adoecendo – física ou psicologicamente. E quando isso acontecer, quem cuidará de nós? Depois de tudo, quando bate a exaustão, quem nos levantará? Quem nos ajudará a caminhar? Quem secará nossas lágrimas.

Nesse momento, a ficha cai: no final de tudo, só teremos a nós mesmos. Somos a única companhia com a qual podemos contar, até o fim de nossos dias. Tudo passa, todos partem, mas nossa mente – essa sim, é a verdadeira companheira.

E então… boom, uma explosão. Todas as sombras que tentamos esconder durante a nossa existência assume o controle de nossas ações, enquanto a nossa consciência vira refém da própria essência – essencialmente corrompida.

O que não nos ensinam é que o autocuidado que nos fora privado durante todo esse espaço de tempo nos faz falta. A negação do nosso instinto individualista nos transforma em um acúmulo: de ações, de tristezas, de rancores, de medos e inseguranças.

Se priorizar não é egoísmo. Se valorizar não é narcisismo. Se impor não é autoritarismo. A realidade é que eles têm medo do poder de uma pessoa que se descobre dona do próprio destino, senhora de suas escolhas. Por isso, tentam, constantemente, cortar nossas asas. Tolos, principiantes, esqueceram que, mesmo sem asas, nossas pernas ainda funcionam – e irão mais longe do que eles podem imaginar.

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