Mulher

Moro num país em que a cada dois minutos, uma mulher é agredida, a cada onze estuprada, e a cada 7 horas, morta, na maioria das vezes pelos próprios companheiros. As mesmas mãos que nos envolvem, são as que nos sufocam. Enquanto escrevo essas linhas, as histórias vão se repetindo, e se repetindo, e se repetindo, nesse ciclo vicioso que mais parece um pesadelo.

Ser mulher no Brasil é um pesadelo. Somos constantemente assombradas pelo medo da violência, sofremos na pele os julgamentos. Somos culpadas, execradas, exterminadas, sem chances de defesa. Apenas por sermos quem somos, apenas por sermos mulheres.

Mulheres. O sexo frágil. O segundo sexo. Moldadas para obedecer, para que transformassem nossos corpos, resistentes em sua natureza, em algo dócil. Afinal, uma mulher não deve ser dócil?

Eles ditam as regras, nos silenciam e acham que podem chegar a cada 8 de março e nos entregar flores. Não quero suas flores, não quero os parabéns. As flores são para os mortos, e quero que parem de nos matar. Quero justiça. Para elas, para mim e para as tantas outras que ainda virão.

Mas, contar com a justiça no país em que é inventado o termo “estupro culposo” como uma gambiarra masculina para defender agressores, é decepcionante, para não dizer desesperador.

Só podemos contar com a nossa própria força, confiar em nossos instintos e lutar pela garantia dos nossos direitos que estão sendo continuamente colocados à prova.

Nesse 8 de março, não me dê os parabéns. Me dedique 15 minutos de leitura sobre a questão de gênero na América Latina. Se eduque e eduque seus filhos para rompermos padrões de comportamentos histórico-sociais retrógrados. Aplique essas mudanças no seu dia a dia. Isso fará a diferença para as próximas gerações.

Mas não espere que fiquemos sentadas esperando as mudanças acontecerem de forma gradativa. Faremos essas mudanças, seremos essas mudanças. O papel secundário já não nos serve mais.

6 comentários

  1. I was never aware of this, and a part of me feels guilty for not knowing, not stopping, and not educating myself about the mistreatment of women in Latin America. Thank you so much for using this platform of yours to spread this information. This post motivated me so much, and I hope that in the future I can do something, anything, to help Latin American women on their fight against gender inequality ❤

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