Reflexões de uma noite mal dormida

Ultimamente, me pego pensando com determinada frequência sobre a efemeridade do tempo e suas esperas inevitáveis e cansativas. Me questiono sobre esse excesso de perguntas e escassez de respostas que insistem em me acompanhar, entranhados no âmago do meu ser, qualificando minha essência inquieta e perpetuando padrões de pensamentos inconstantes que herdei de meus antepassados e se repetem de forma tão incômoda que me tiram o riso, a paz e o alento dos braços gélidos, contudo, envolventes, de Morfeu.

A insegurança paranóica fundamentada no meu calejado subconsciente me faz querer estar no controle – da minha vida, das minhas ações, dos meus sentimentos – o tempo todo, como se fôssemos indivíduos programados previamente para assumir determinada função, como se o destino fosse certeiro e o trajeto não pudesse ser alterado. Como se o fato de ser quem sou me fosse fadado.

E essa mania irritante (e sufocante, diga-se de passagem) só me traz frustrações. A vida é uma grande jornada fantástica e suas curvas são desconhecidas. A possibilidade do inesperado, o imprevisto é a grande magia que nos mantém vivos. E quanto antes entendermos isso, mais fácil será a caminhada. Uma pena que a jovem que escreve não tenha percebido antes, mas, nunca é tarde para recuperar as próprias rédeas e protagonizar a própria história, como se deve ser, abraçando as nuances dos acontecimentos inesperados e dos sentimentos exacerbados.

O tempo, efêmero tal como é, se apressa em apontar as falhas dos cabelos grisalhos e as marcas de expressão no rosto, que revelam em suas linhas experiências e histórias de um longo percurso. Daí se faz a necessidade de viver um dia de cada vez, deixando que a vida surpreenda meus olhos gigantes e curiosos de menina (não tão) ingênua e destemida na próxima esquina, para que as marcas que carregarei no frágil e perecível corpo em que habito contem meu enredo, não apenas uma trama mal desenvolvida, escrita em garranchos desajeitados numa noite estrelada de verão.

7 comentários

  1. Priscilla, não sei a sua idade física, mas isso é irrelevante. Estou às portas dos 60 anos e os questionamentos que faz eu os repito desde os 20 em uma espécie de ciclo randômico. Em certo momento decidi mudar a minha perspectiva e comecei a valorizar às questões mais profundas, mas nunca deixei de perguntar. Acho que as respostas ensejam cada vez maiores perguntas, mas só acho…

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